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Segunda-feira, 17 de Agosto 2026
Natal RN

Casal de lésbicas de Natal realiza inseminação caseira, tem gêmeas e registra filhas: “Sonho”

Mulheres buscam "inseminação caseira" pelo sonho de engravidar; Say Ribeiro e Beatriz Ribeiro tiveram gêmeas e registraram as filhas

Portal Correio do Agreste
Por Portal Correio do Agreste
Casal de lésbicas de Natal realiza inseminação caseira, tem gêmeas e registra filhas: “Sonho”
Tatuadora e influenciadora digital Say Ribeiro, a cabelereira Beatriz Ribeiro e as filhas Maria Ester e Maria Isabel. Foto: Arquivo Pessoal
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Casadas há quase 6 anos, a tatuadora e influenciadora digital Say Ribeiro e a cabelereira Beatriz Ribeiro sempre tiveram o sonho de aumentar a família. Foi a partir dessa vontade que surgiu a ideia de fazer a inseminação artificial. Em função das dificuldades que encontram em fazer a inseminação em clínicas de fertilização, as duas optaram por realizar a inseminação caseira. Ao Agora RN, Say, que teve as gêmeas há 25 dias, contou detalhes do processo.

“Tenho um relacionamento de 5 anos e 11 meses com a minha esposa, Beatriz Ribeiro. Sempre foi nosso sonho aumentar a nossa família, e sabíamos que a inseminação artificial em clínica de fertilização tem um custo muito alto e nem sempre se consegue o positivo na primeira tentativa. Então era algo distante para nossa realidade, até que vimos uma reportagem na TV sobre a inseminação caseira, mais conhecida como IC, e fomos estudar a fundo sobre o assunto, até que achamos grupos no Facebook e no WhatsApp de tentantes e doadores de todo o Brasil. Inclusive, alguns que doavam para clínicas: a maioria é de doadores de sangue também, e nenhum cobra pela doação do material”, contou Say.

Os custos da inseminação artificial (injetar espermatozoides diretamente no útero) e da inseminação in vitro (espermatozoides e óvulos ficam em uma estufa para, depois, a fecundação ser injetada no útero) sofrem grandes oscilações, de acordo com a região e clínica, variando de R$ 5 mil a R$ 20 mil. Contribuem para essa diferença o tipo de cobertura, hormônios e medicamentos utilizados no decorrer do processo. Como a maternidade é o sonho de muitas mulheres, a inseminação caseira se tornou uma solução viável para aquelas que desejam engravidar, mas que não podem arcar com os custos de uma inseminação em uma clínica especializada.

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Ela revelou como conseguiu, junto a sua companheira, um doador de esperma, e falou também sobre o procedimento realizado em casa. “Conseguimos um doador com as características que queríamos, porque eu queria um doador que lembrasse a minha esposa para ter alguma semelhança com ela, e pagamos os custos de deslocamento dele até a nossa cidade no meu período fértil”, relatou. O procedimento caseiro consiste em o doador retirar o sêmen, colocar em um pote esterilizado e, com uma seringa, a mulher coletar o sêmen para que seja injetado no corpo. “15 dias se passaram e veio o nosso tão sonhado positivo, e na primeira ultrassonografia tivemos uma grande surpresa: eram gêmeos”.

O casal, que mora em Natal, passou os 9 meses de gestação cumprindo todas as regras que uma gravidez exige, com apanhamento médico mensal e todos os cuidados necessários para um parto saudável. Ela conta que foi preciso procurar a Defensoria Pública do Estado para conseguir acompanhar a companheira durante o parto.

“Para felicidade das mamães ser ainda maior, a minha esposa fez todo o pré-natal comigo. Próximo ao parto, ficamos sabendo que ela não poderia me acompanhar no parto cesariana, no centro cirúrgico de um hospital público da capital potiguar. Foi aí que procuramos a Defensoria Pública, porém não foi necessário entrar com ação contra o hospital pois os diretores entenderam a nossa necessidade e a importância de ter a mãe não gestante no primeiro contato com as filhas”, relembrou.

Após o nascimento de Maria Ester e Maria Isabel, o casal se deparou com outro problema: registrar as meninas constando os nomes das duas nas certidões de nascimento. Após uma decisão da juíza Virginia de Fátima Marques Bezerra, as duas conseguiram registrar as gêmeas nesta quarta-feira 15 no Cartório de Igapó.

“Como foi inseminação caseira, a lei não permite que seja registrado no nome das duas mães. Entramos em contato com uma advogada, Úrsula Bezerra Lira, para nos ajudar com uma ação para poder acrescentar o nome da minha esposa no registro como mãe também. Ela juntou todas as informações sobre o nosso relacionamento desde o início até aqui e deu entrada no processo de dupla maternidade por inseminação caseira, foram exatos 30 dias de espera, e recentemente recebemos a resposta positiva da juíza, que poderíamos registrar nossas meninas no cartório”, afirmou Say.

Riscos
Segundo especialistas em reprodução assistida, o método caseiro sempre existiu, e oferece riscos. O doador anônimo pode falsificar exames e, além disso, bactérias podem ser pegas no momento da inseminação.

Âmbito jurídico
O doador possui direito ao anonimato, previsto nas resoluções nº 1.358/92 e nº 1.957/2010, do Conselho Federal de Medicina. A legislação faz menção à inseminação artificial in vitro, por consequência, pode ser utilizada no método de inseminação caseira.

É essencial que seja celebrado um contrato entre as partes, esclarecendo que o doador não possui nenhuma relação amorosa com a mãe. Deixando claro que apenas está doando o seu sêmen, sem nenhuma pretensão futura de paternidade, e que renuncia qualquer direito de pai que eventualmente teria.

Esse contrato pode ter como fundamento as resoluções 1.358/92 e 1.957/2010. O dispositivo legal determina que “os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa”.

 

FONTE/CRÉDITOS: Diassis Oliveira

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