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Terça-feira, 18 de Agosto 2026
Economia

Calamidade financeira atingiu área cultural “no coração”, afirma Crispiniano Neto

Integrante do chamado Plano de Recuperação Fiscal do Estado, o Decreto Estadual n° 28.693, de 2 de janeiro de 2019, proíbe expansão de despesas com ev

Portal Correio do Agreste
Por Portal Correio do Agreste
Calamidade financeira atingiu área cultural “no coração”, afirma Crispiniano Neto
Diretor da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto
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O novo diretor da Fundação José Augusto (FJA), Crispiniano Neto, afirmou que as medidas de contenção de gastos implementadas até agora pela gestão da governadora Fátima Bezerra vão dificultar a gestão do setor cultural no Rio Grande do Norte. “Está proibido o patrocínio de entretenimento e atividades culturais. Isso significa que a Fundação foi atingida no coração, pois esta é a nossa atividade-fim”, destacou, em entrevista ao programa Agora em Debate, apresentado pelo jornalista Roberto Guedes na Agora FM (97,9).

Assinado por Fátima Bezerra e integrante do conjunto de medidas do chamado Plano de Recuperação Fiscal do Estado, o Decreto Estadual n° 28.693, de 2 de janeiro de 2019, proíbe expansão de despesas com “patrocínio e apoio à realização de festividades, eventos culturais, solenidades, recepções, confraternizações, homenagens, enfeites, presentes e outras situações similares”. O decreto vai na esteira do reconhecimento, pela nova gestão, da situação de calamidade financeira no Governo do Estado.

Crispiniano, que ocupa pela 3ª vez o cargo de diretor da FJA, disse que vai tentar sensibilizar a governadora para que mais recursos sejam liberados para a cultura. “A Fundação José Augusto não poder fazer atividades culturais é como dizer que hospital não pode fazer cirurgia, que a Polícia Militar não tem dinheiro para prender bandido”, reclamou.

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Segundo o novo diretor, a FJA foi “sucateada” na gestão do ex-governador Robinson Faria (2015-2018). Ele reclamou do déficit de servidores no órgão – são apenas 213, segundo ele – e a dificuldade para se fazer reposição de funcionários que se aposentaram. “Não temos a mínima condição de pensar em concurso, pois o Estado está catando moedas para pagar salários atrasados”.

Apesar de solicitar mais recursos para a sua área, Crispiniano Neto disse se solidarizar com a crise financeira do governo. Ele apontou, inclusive, que o déficit fiscal do Estado – avaliado em R$ 4,5 bilhões pela equipe econômica – deve ser ainda maior, já que novas dívidas têm sido encontradas em diversos setores.

Na cultura, Crispiniano exemplificou que há dívidas de quase R$ 200 mil das gestões dos teatros Alberto Maranhão e Lauro Monte Filho, em Natal e Mossoró, com as respectivas prefeituras. Os débitos seriam relativos ao Imposto sobre Serviços (ISS), cobrado pelos municípios.

OBRAS
A despeito da crise financeira, o diretor da FJA anunciou a continuidade das obras de restauração de quatro prédios históricos: o Teatro Alberto Maranhão e sua Escola de Dança, a Fortaleza dos Reis Magos e a Pinacoteca do Estado.

Nessas construções, Crispiniano disse que quer evitar o que, em sua opinião, ocorreu durante o governo Robinson: a entrega de obras inacabadas. Segundo ele, a inauguração da Biblioteca Câmara Cascudo se deu “no apagar das luzes”. “Falta a subestação de energia, sem a qual não funcionam os computadores e aparelhos de ar condicionado. Vamos precisar de cinco a seis meses de trabalho, de resgate de verbas, para por a biblioteca em funcionamento”, assinalou.

Crispiniano declarou também que o Teatro Lauro Monte Filho, em Mossoró, foi reaberto com uma estrutura aquém do esperado. “As poltronas deveriam ser reclináveis e confortáveis, mas o que colocaram lá foram cadeiras longarinas. Aquilo não é cadeira de teatro. Além do mais, o piso é ‘declinado’ e a cadeira acompanha a declividade. A pessoa tem que estar se segurando com os pés, como um cavalo de desenho animado. Isso tira a atenção, a concentração”, emendou.

Para evitar que isso aconteça, o diretor da FJA prometeu criar um comitê de acompanhamento externo das obras na área cultural. “Vamos formar uma comissão com dez pessoas ligadas aos interesses diretos [da obra]. Acompanhar, por exemplo, se a cerâmica aplicada é a que consta no projeto ou se a luz da maquinaria está de acordo”, finalizou, acrescentando que a primeira comissão será instalada para acompanhar a restauração da Fortaleza dos Reis Magos.

FONTE/CRÉDITOS: José Aldenir / Agora RN

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