Uma investigação nos registros do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) traz à tona uma conexão jurídica altamente questionável no cenário eleitoral potiguar. Por trás do discurso de imparcialidade das pesquisas de intenção de voto, documentos oficiais revelam que o candidato a governador Allyson Bezerra e o Instituto Seta de Pesquisa Ltda. compartilham exatamente o mesmo representante legal em processos na Justiça Eleitoral.
A sobreposição de defesas fica cabalmente demonstrada no confronto das peças processuais do TRE-RN. No Registro de Candidatura nº 0600458-93.2026.6.20.0000 de Allyson Bezerra, o advogado Caio Vitor Ribeiro Barbosa (OAB/RN 7.719) assina formalmente como representante do candidato. Paralelamente, no Processo de Representação nº 0600932-64.2026.6.20.0000 movido pelo PDT contra o Instituto Seta de Pesquisa Ltda., o mesmo advogado recebeu substabelecimento sem reserva de poderes para assumir a defesa da empresa de pesquisas no último dia 7 de outubro.
Essa estreita ligação profissional entre o defensor da candidatura e o representante do instituto responsável por medir a preferência do eleitorado levanta sérias dúvidas éticas sobre a independência dos levantamentos. A coincidência de ter o mesmo escritório advocatício atuando na tutela dos interesses do político e na proteção jurídica da entidade de pesquisas compromete a neutralidade que se exige de um instituto estatístico em um pleito democrático.
A gravidade do fato ganha ainda mais peso diante do histórico recente do Instituto Seta no primeiro turno. A empresa divulgou levantamentos indicando uma folgada liderança para Allyson Bezerra, mas a abertura das urnas desmentiu drasticamente as projeções ao registrar uma margem apertada de apenas 0,78% de diferença em relação ao candidato Cadu de Lula, expondo um abismo entre o prognóstico publicado e a real votação.
Para comparação, a última pesquisa do instituto divulgada no primeiro turno apontava que Allyson teria 46,26% dos votos válidos contra 27,64% de Cadu. O resultado oficial das urnas mostrou os dois quase empatados, 36,94% para Allyson e 36,16 para Cadu.
Mesmo após os erros do primeiro turno, o Instituto Seta foi o primeiro a publicar novos números no segundo turno no Estado. Ao voltar a apresentar uma estimativa com disparidade favorável a Allyson Bezerra, o instituto reforça as suspeitas sobre a repetição de um expediente dúbio, tornando urgente a exigência de transparência perante a sociedade potiguar sobre essa promíscua relação jurídica.

Correio do Agreste
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