Agora campeões do mundo no C2 1000m batendo a dupla brasileira, Hao Wang e Hao Liu foram bem nas etapas de Copa do Mundo ao longo da temporada
Até a temporada passada, um pódio sem europeus no C2 1000m era algo inimaginável. A mudança de cenário no Campeonato Mundial de canoagem velocidade em Szeged, na Hungria, tem como ponto mais surpreendente a ascensão meteórica da dupla da China. Agora campeões do mundo, Hao Wang e Hao Liu nunca tinham disputado uma edição sequer de Mundial e eram tidos como zebras pelos adversários.
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Os chineses têm 25 anos e até então tinham como título mais expressivo da carreira o dos Jogos Asiáticos de 2018. Disseram que a coincidência de datas foi a razão para não disputarem o Mundial de Montemor-o-velho, no ano passado. Não que a China precisasse da colaboração deles para liderar o quadro de medalhas dos Jogos Asiáticos. O país conquistou 132 ouros e 289 pódios contra 75 e 205 do Japão, segundo colocado, respectivamente.
Para efeito de comparação, Isaquias Queiroz tem 24 anos, 10 medalhas em Mundiais e três em Jogos Olímpicos.
É verdade que os chineses apresentaram suas credenciais ao longo da temporada, com pódios nas duas etapas de Copa do Mundo disputadas em 2019. Ficaram em terceiro lugar em Poznan, na Polônia, com 3min30s822, atrás de barcos da Alemanha e da Polônia. Em Duisburg, na Alemanha, deixaram os donos da casa para trás e faturaram o ouro com 3min25s394.
Na análise das principais forças para o Mundial da Hungria, Liu e Wang não eram cotados como favoritos. Mesmo assim foram construindo a trajetória em Szeged sobrando em todas as baterias que disputaram. Ficaram em primeiro lugar geral na eliminatória (3min26s06) e na semifinal (3min24s08).
Na disputa por medalhas aumentaram o tempo devido ao vento contrário, mas foram amplamente superiores aos concorrentes. Cravaram 3min40s55 contra 3min41s46 dos cubanos Torres Madrigal e Jorge Enriquez e 3min44s34 dos brasileiros Isaquias Queiroz e Erlon de Souza.
As condições da prova favoreceram os asiáticos. É visível que a dupla é fisicamente maior do que os brasileiros, por exemplo. Liu mede 1,82m, e Wang, 1,83m, contra 1,77m de Isaquias e 1,75m de Erlon. Perguntados sobre o segredo da ascensão meteórica, os chineses, com a ajuda de um tradutor da comissão técnica, preferiram lembrar da “tradição” do país.É muito simples. A China era um país muito forte na canoagem. Tivemos a glória 11 anos atrás. Agora podemos dizer que estamos de volta. Cuba e Brasil são muito fortes, mas a Olimpíada será na Ásia, então queremos continuar como campeões – disse Liu.
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Se a Olimpíada de Pequim 2008 é a referência do passado, o chinês não fez a melhor das comparações. Os donos da casa de fato brilharam liderando o quadro com 100 medalhas, 48 de ouro. Mas especificamente na canoagem o país conquistou apenas um pódio. Foi ouro no C2 500m masculino com Meng Guanliang e Yang Wenjun.
Superados pelos pouco conhecidos adversários, Erlon e Isaquias viram os méritos rivais. Citaram as boas campanhas feitas por eles ao longo da temporada e a importância de jamais menosprezar um concorrente.
- A gente sabia pouco deles. Na Polônia eles foram bem na Copa do Mundo. Na Alemanha ganharam dos alemães em casa e fizeram um baita tempo do C2 1000m. Tinha o vento a favor, mas mesmo assim era um bom tempo. Na competição você não pode descartar ninguém. Todo mundo é merecedor de estar na final. Lógico que alguns são favoritos, mas sabíamos que os chineses viriam bem porque remaram bem a Copa do Mundo – disse Isaquias.

Correio do Agreste