O ano de 2022 foi de extrema importância para a cena cultural do Rio Grande do Norte. Foi neste período que o setor de eventos voltou a promover encontros com maior frequência, graças ao avanço da vacinação contra a Covid-19. Se até 2021 a aglomeração era apenas sinônimo de saudade, este foi o ano em que ela voltou a fazer parte da vida dos potiguares.
Os festivais de música foram retomados com a força dos anos pré-pandêmicos. Em abril, o Festival DoSol voltou a acontecer em Natal depois de dois anos de hiato. A música potiguar retornou aos palcos no histórico Memorial Câmara Cascudo, no coração da Cidade Alta. Com entrada gratuita, o evento reuniu diversos (e saudosos) jovens apaixonados por música através de uma programação de destaque.
As apresentações seguiram até maio e contaram com artistas locais e representantes de outros estados brasileiros, como a cantora Marina Sena, Gilsons e FBC. Outra edição do festival aconteceu em novembro. Ao longo das noites de evento, o DoSol foi marcado por manifestações políticas contrárias ao atual governo federal e a favor do agora presidente eleito Lula (PT). O posicionamento político de artistas e do público foi, por sinal, uma marca dos eventos realizados neste ano eleitoral.
Além disso, 2022 teve também o retorno do Festival MADA. O evento ocupou o gramado da Arena das Dunas, com estrutura de dois palcos lado a lado e a pluralidade sonora que é a marca da história das duas décadas de Música Alimento da Alma. A curadoria deste ano apostou em artistas celebrados na cena musical atual, como Emicida. Djonga, Gloria Groove e Letrux.
O MADA, como já é tradição, também abriu espaço para artistas locais. Alguns destaques desta edição foram a banda Luísa e os Alquimistas, Potyguara Bardo, Amem Ore, Cazasuja, entre outros. Além de diversos eventos privados com a presença de cantores de renome nacional, o RN viu a cena local mais valorizada.
Com o fortalecimento de editais que oferecem suporte financeiro, os artistas potiguares conseguiram produzir mais conteúdo autoral e participaram de um maior número de programações públicas, como o Natal em Natal – atividade cultural em dezembro que contou com apresentações em diversos polos da cidade.
Os espaços culturais ganharam protagonismo em 2022. Muitos deles foram reabertos do ano passado para cá, e receberam investimentos na programação, como o Teatro Alberto Maranhão. Neste ano, o TAM foi palco de diversos eventos gratuitos ou com valores mais acessíveis, reunindo uma grande quantidade de espectadores em projetos como o “Quartas Clássicas”, com a Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte.
Destaques
O Prêmio Hangar 2022, que aconteceu em novembro, premiou os destaques da música potiguar. A banda Luísa e os Alquimistas foi escolhida a Banda do Ano e ainda conquistou as categorias de Álbum do Ano com “Elixir”, e “Show do Ano” no Festival MADA.
O renomado instrumentista Jubileu Filho foi o escolhido na categoria Melhor Instrumentista. A “Música do Ano” ficou para “Mar Aberto”, da banda Luaz. O “Cores do Nosso Samba”, um projeto com incentivos da Prefeitura de Natal e que conta com Valéria Oliveira no comando, venceu na categoria “Projeto do Ano”. Além disso, o “Videoclipe do Ano” foi para Kumbayá, da banda Skarimbó. A cantora Dani Cruz foi a “Intérprete do Ano”.

Correio do Agreste