Ao abrir o placar contra o Corinthians aos três minutos de jogo, o Palmeiras parecia ter caminho aberto para recuperar a paz depois da eliminação precoce na Copa do Brasil, mas não foi o que aconteceu.
Com postura que deixou a desejar e novamente dificuldades para enfrentar equipes mais fechadas, o Verdão terminou o Dérbi, pela terceira rodada do Brasileirão, com um empate amargo no Allianz Parque.
Ainda que desfalcado do trio Weverton, Gustavo Gómez e Viña, que disputa a Copa América, além de jogadores machucados como Danilo, Danilo Barbosa e Patrick de Paula, o Palmeiras entrou em campo com uma equipe forte.
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E o belo gol de Raphael Veiga logo no início ainda deu ao time de Abel Ferreira a possibilidade de executar sua estratégia favorita: marcação agressiva e contra-ataque para resolver o jogo. Mas não foi o que aconteceu no clássico.
O Verdão adotou uma estratégia muito defensiva, com o time recuado e dando campo ao Corinthians. Durante boa parte do primeiro tempo, o rival não teve chances claras, mas a falta de uma atitude mais agressiva fez com que o Palmeiras também ficasse longe da meta de Cássio - só houve outra grande chance no primeiro tempo, em que Gustavo Scarpa acertou a trave.
O castigo veio logo no começo do segundo tempo, em uma jogada que a defesa alviverde foi envolvida pela troca de passes corintiana. E a partir do 1 a 1, aos nove minutos da etapa final, o Verdão se viu diante de seu maior problema: passar por times fechados.
Abel escalou o Palmeiras com dois meias e três atacantes, um esquema em que se espera ter velocidade pelos lados e criação por dentro. Mas assim como aconteceu contra o CRB (em que apesar das mais de 30 finalizações foram poucas chances claras), o time teve dificuldades para chegar na área.
Quando o Corinthians passou a se defender mais, o Verdão trocava passes na sua primeira linha com a bola (Luan, Renan e Victor Luis), e Scarpa e Veiga muitas vezes tinham de voltar o jogo por falta de opção à frente.
Em uma das raras vezes em que conseguiu trabalhar e entrar na área, o Palmeiras até fez o segundo gol, mas o lance foi anulado pelo VAR graças ao impedimento de Rony no início da jogada. Para Abel, o time perdeu dois pontos. E é verdade - mas não por pecar na finalização, e sim pela postura retraída demais e os problemas depois do empate.
Ao longo da temporada, o Palmeiras já atuou em diversos esquemas: com três zagueiros, dois volantes e três atacantes, agora dois meias e três na frente... e ainda que esta última opção teoricamente favorecesse o ataque, não funcionou no Dérbi – inclusive defensivamente.
Felipe Melo, Gustavo Scarpa e Raphael Veiga deram muito espaço no setor para o Corinthians trocar passes, em certos momentos até com um clarão na intermediária ofensiva alvinegra. Quando tiver de volta Patrick ou Danilo, é possível pensar novamente nesta opção, já que os garotos têm maior mobilidade do que o camisa 30.
Mas neste momento é preciso reavaliar. Caso encontre mecanismos para proteger melhor o time usando os dois meias e Felipe Melo, restará a Abel aperfeiçoar a movimentação na frente com eles. Mas se com este esquema a equipe ficar desequilibrada e seguir com pouco poder ofensivo, será necessário pensar em mais uma mudança.
O momento é cruel para o técnico português, que vê a equipe acumular resultados ruins enquanto convive com muitos desfalques. Só que ainda é possível encontrar melhores saídas com as opções que restam. Com um pouco mais de agressividade, a situação já seria bem mais tranquila neste domingo.
A próxima chance de recuperação será na quarta-feira, às 21h30, contra o Juventude, em Caxias do Sul, pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro.

Correio do Agreste