As microrregiões do Norte e Nordeste do Brasil possuem uma população percentualmente mais jovem do que o restante do país. Apesar disso, podem apresentar um risco aumentado de mortalidade ocasionada pela Covid-19. Isso se explica pelo fato de que essas microrregiões apresentam altas taxas de morbidades que elevam os riscos de complicações pela doença.
As duas regiões apresentam uma pior estrutura do sistema de saúde e uma população com uma pior condição de saúde geral, com concentração de mortalidade por doenças cardiovasculares e diabetes. Em um artigo publicado pelo Observatório do Nordeste para Análise Sociodemográfica da Covid-19 (ONAS), é possível verificar que a totalidade das microrregiões do Norte, e uma boa parte das microrregiões do Nordeste, aparecem em desvantagem quanto ao risco geral de mortalidade em comparação com as microrregiões do Sudeste e Sul do país, apesar destas últimas serem mais envelhecidas.
No artigo Uma análise do padrão mortalidade por causas no Brasil no contexto da pandemia da Covid-19, os pesquisadores citam que, no que diz respeito às causas externas, as taxas de mortalidade são mais altas para os homens em todas as 558 microrregiões, com destaque para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e que, além disso, aproximadamente 58% das mortes registradas por causas externas no sexo masculino estão entre as idades de 15 a 39 anos.
Na análise também é apontada que, em relação às doenças cardiovasculares, em aproximadamente 75% das microrregiões brasileiras, os homens apresentam taxas de mortalidade mais altas que as mulheres. “O Norte e o Nordeste são as regiões socioeconomicamente menos desenvolvidas do país e apresentam taxas de mortalidade maiores que as demais. Estudos anteriores mostram que locais menos desenvolvidos observaram o ritmo mais acelerado de aumento da mortalidade por doenças cardiovasculares nos últimos anos”, aponta o estudo.
No caso das doenças respiratórias, existe um equilíbrio entre homens e mulheres. Em aproximadamente 53% das microrregiões, as taxas são maiores entre os homens. Em relação às neoplasias, as taxas mais altas de mortalidade estão concentradas na região sul do país. No que tange ao diferencial por sexo, em 79% das microrregiões brasileiras as taxas de mortalidade por esta causa são maiores entre os homens.
Já em relação a diabetes, sabe-se que esta atinge principalmente as mulheres. Em aproximadamente 78% das microrregiões brasileiras, as taxas de mortalidade são maiores para elas, se comparadas aos homens. Entretanto, a distribuição espacial sugere que, para os homens, esta causa é mais heterogênea ao analisarmos o país como um todo. A análise espacial também mostra que, tanto para homens como para mulheres, há uma concentração de altas taxas de mortalidade por diabetes em regiões do Norte e Nordeste do Brasil.
A análise foi realizada pelos professores do Departamento de Demografia e Ciências Atuariais (DDCA) e do Programa de Pós-Graduação em Demografia (PPGDem) da UFRN, Flávio Henrique Miranda de Araújo Freire e Marcos Roberto Gonzaga, e dos pesquisadores Emerson A. Baptista, do Asian Demographic Research Institute, School of Sociology and Political Science (Universidade de Shanghai, China), Bernardo Lanza Queiroz, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Everton Emanuel Campos de Lima, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Com informações da UFRN

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