Ex-ministro participou da eleição do novo presidente estadual do MDB, Walter Alves, que ameaçou sair da legenda caso ele fosse reconduzido ao comando do partido no RN
Uma cena ilustra bem a atual situação do MDB no Rio Grande do Norte, com relação ao seu ex-presidente, o ex-ministro Henrique Eduardo Alves. Nesta segunda-feira (21), durante eleição da executiva estadual, o recém-eleito presidente do partido, deputado federal Walter Alves, deixou a sala 114 do hotel onde estava sendo realizado o encontro às 10h46. A reunião estava prevista para acabar às 13h.
Às 11h, 14 minutos após a saída de Walter Alves, a porta do elevador que fica em frente à sala do evento emedebista se abriu. E de lá, usando uma camisa verde (tradicional), saiu Henrique Eduardo Alves, a possível explicação para o presidente eleito do partido ter saído mais cedo. Desde sua prisão, em 6 de junho de 2017, por suspeita de corrupção, o ex-ministro do Turismo não participava de algum evento do tipo.
Ao sair, ele foi recepcionado pelo prefeito de Caicó, Robson Araújo, o “Batata”, que chegou a ser preso, também suspeito, de outros desvios. O prefeito é do PSDB, mas está de malas prontas para o MDB. Antes de entrar na sala onde aconteceu a eleição da nova Executiva do MDB, o próprio Henrique Alves explicou o porquê de estar ali:
Ao entrar, ele cumprimentou as pessoas presentes na sala, posou para fotos com outras e falou, mais demoradamente, com o ex-senador Garibaldi Alves filho (pai de Walter Alves) e o deputado estadual Nélter Queiroz.
A eleição da nova executiva estadual do MDB marca também no Rio Grande do Norte a consolidação do que o partido tem tratado como renovação. Nesse movimento, oficialmente, os líderes políticos que prejudicaram a imagem do partido por envolvimento na operação Lava Jato estão sendo substituídos ou colocados em posições de menos destaque.
Exemplo maior dessa movimentação é o atual presidente nacional da legenda, deputado Baleia Rossi. Ele foi eleito dia 6 de outubro, assumindo o lugar de Romero Jucá (RR), autor da famosa declaração “com o Supremo, com tudo”. Baleia Rossi tem 44 anos.
Jucá agora ocupa cargo de vogal na Executiva, ou seja, tem direito a voto, mas não possui função específica. No caso do Rio Grande do Norte, a renovação que envolve Walter Alves e Henrique Eduardo Alves tem outros elementos.
Leia também:
Garibaldi e Walter Alves deixam MDB se Henrique voltar a presidir partido
Henrique Alves diz que Rodrigo Janot agride “os fatos e a verdade”
Justiça rejeita denúncia contra Henrique Eduardo Alves por lavagem de dinheiro
Henrique Alves e Eduardo Cunha tentam levar processo para Justiça Eleitoral
Lava Jato faz cinco anos com 155 condenados e poder contestado
STF decide que Justiça Eleitoral pode julgar corrupção da Lava Jato
JFRN retoma processo que envolve Henrique Alves e Eduardo Cunha
Rompimento teria sido motivado por problemas na eleição de 2018
Em 2018, ao invés de ajudar Walter Alves a se reeleger, Henrique teria empreendido esforços no sentido de eleger o deputado federal Benes Leocádio, hoje no Republicanos. Ao final da eleição, Benes foi o mais votado. Walter foi o sétimo de oito eleitos.
Este ano, em abril, a rusga foi exposta em rede social. Ao ser questionado por um prefeito sobre Henrique Alves, Walter respondeu: “Comunicamos à direção do MDB nacional, que, caso o senhor Henrique Alves, com quem não tenho relação pessoal e política há anos, venha assumir a legenda, Garibaldi e eu deixaremos o partido”.
Agora, o deputado federal tornou-se presidente estadual da legenda, tendo seu pai, o ex-senador Garibaldi Alves Filho como vice. E Henrique Alves tornou-se – aparentemente – apenas mais um filiado à legenda, que deseja sucesso ao novo presidente.
“Eu torço para que ele venha a ser um bom presidente, contando com a experiência de seu pai. Eu sou MDB acima de tudo. Independente das pessoas, eu sou MDB e desejo a ele muito sucesso”, disse. E reiterou que não participará da atuação política- eleitoral do partido. Confira:

Correio do Agreste