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Vingança foi a principal motivação para a Chacina do Benfica

Réus e alvo principal da noite dos crimes se conheciam desde a infância e teriam rompido em razão da ligação
Vingança foi a principal motivação para a Chacina do Benfica
Sete pessoas foram assassinadas a tiros, em três pontos diferentes do bairro, por volta de 23h da sexta-feira Foto: Kleber A. Gonçalves

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Réus e alvo principal da noite dos crimes se conheciam desde a infância e teriam rompido em razão da ligação com facções criminosas

Do início da investigação sobre as mortes no Benfica, em 9 de março de 2018, até aqui, muito se descobriu, inclusive sobre o que teria motivado a chacina no bairro da Capital. Os autos apontam para duas principaislinhas de investigação sobre as causas dos homicídios – as quais não se excluem entre si. São elas a disputa entre as facções criminosas Guardiões do Estado (GDE) e Comando Vermelho (CV), além de vingança por um outro assassinato.

Na primeira perspectiva, o cálculo é simples. A apuração indica que a chacina foi organizada por integrantes da GDE em retaliação aos seus inimigos em razão da disputa pelo tráfico de drogas na região dos bairros Benfica e Fátima. Embora não tenham confessado em juízo sobre a integração à facção, a Polícia Civil documentou uma série de outros depoimentos que sugerem a participação de Douglas Matias, Stefferson Fernandes e Elisson Chaves no grupo criminoso. Eles negam. 

 

 

Vingança

A outra linha de investigação, confirmada por testemunhas e pelo réu Stefferson Fernandes, sugere que houve uma trama de vingança que relaciona uma das vítimas da matança a outro assassinato ocorrido na região exatamente um mês antes da chacina.

Em 9 de fevereiro de 2018, Jorge Luis Rodrigues da Silva, vulgo “Novinho”, de 25 anos, foi morto no bairro de Fátima; ele era primo do réu Stefferson Fernandes. Conforme as investigações, os réus culpavam Geovane Diogo Silva Oliveira (o “Geo”) pelo homicídio de “Novinho”. 

Não por acaso, segundo as investigações, o alvo da noite de sexta-feira no Benfica seria “Geo” e seus comparsas, uma vez que havia chegado a informação de que ele estaria frequentando a Praça da Gentilândia e a sede da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), na Vila Demétrio. Em depoimento, Geovane, inclusive, confirmou que estava na Gentilândia uma semana antes dos crimes, após ter sido liberado da prisão.

Ao chegarem ao local e não localizarem o desafeto, os criminosos teriam encontrado lá o primo de “Geo”, José Gilmar de Oliveira Júnior (o “Júnior Biba”, que tem passagens por roubo e posse de drogas); ele foi o primeiro a ser assassinado no massacre. As duas outras vítimas da Praça não tinham relação com a vingança. 

Em depoimento concedido à Polícia Civil após sua prisão em Paracucu, Stefferson Fernandes disse que “descarregou seu revólver em ‘Júnior Biba’”, assumindo a autoria do atentado. Na oitiva prestada à Justiça, porém, o réu se manteve calado. A Perícia Forense atestou que os disparos que mataram o jovem não saíram apenas de uma arma de fogo, o que corrobora com a participação de outra pessoa no assassinato.

Além disso, há um outro ponto que ajuda na narrativa da acusação de uma motivação passional. Stefferson e ‘Júnior Biba’ já haviam sido denunciados pelo Ministério Público por uma tentativa de assalto, ocorrida em 2010. Segundo o MPCE, esse delito demonstra aproximação entre eles.

Ato contínuo

Após a matança na Gentilândia, o grupo criminoso saiu em direção às proximidades da sede da TUF e, no local, perguntou novamente sobre “Geo”. Não encontrando-o, assassinou mais dois jovens que teriam sido identificados como integrantes do Comando Vermelho. Contudo, eles não pertenciam a nenhum grupo criminoso e também não tinham antecedentes criminais.

No terceiro ponto, no cruzamento das ruas Joaquim Magalhães e Major Facundo, os homicidas avistaram outros dois supostos inimigos e confundiram a vítima Emilson Bandeira com um homem chamado “Everton”. Ali, morreram Emilson e Pedro Braga, enquanto retornavam à sede da TUF, com um vinho na mão. 

Infância

A relação entre os réus dos crimes e o alvo principal que não foi morto no dia da chacina vem de longa data. Douglas Matias, Stefferson Fernandes, Elisson Chaves e Geovane Oliveira se conheciam desde a infância. Eles moravam no limite entre os bairros Benfica e Fátima e acabaram crescendo juntos, mas enveredando pelo mundo do crime, como aponta a investigação. 

Embora os réus neguem que eram amigos de infância de “Geo”, este afirma, em depoimento, que “conhecia os três acusados e teve amizade com eles na infância”. Elisson Chaves respondeu, em juízo, que “eles todos cresceram juntos, inclusive Geovane”. Conforme o próprio “Geo”, o motivo da inimizade dele com os acusados “seria ‘guerra de facção’, pois eles (os acusados) são da GDE, e o depoente é do Comando Vermelho - CV”, disse em depoimento à Polícia Civil. Os demais não se pronunciaram sobre a razão do rompimento.

Diário do Nordeste entrou em contato com a Defensoria Pública, que é responsável pela defesa dos três réus, mas a assessoria informou que não iria se pronunciar sobre o caso. A defesa de Geovane Diogo Silva Oliveira não foi localizada pela reportagem. O MPCE também foi contatado, porém o promotor responsável pela denúncia dos réus não quis gravar entrevista. 

Fonte

diariodonordeste

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