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Álvaro usa pandemia para ter votos, diz Jean Paul

Senador faz duras críticas às políticas de combate ao coronovírus promovidas pelo prefeito da capital potiguar. Jean Paul Prates também avalia que o P
Álvaro usa pandemia para ter votos, diz Jean Paul

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Osenador Jean Paul Prates (PT) avalia que as ações da Prefeitura do Natal para o controle da pandemia do novo coronavírus são, na verdade, medidas populistas com vistas ao processo eleitoral do fim deste ano. Segundo ele, o prefeito Álvaro Dias (PSD) tem assumido comportamentos “no mínimo contestáveis” com relação ao trato da doença.

 

AGORA RN – Qual a sua análise em relação ao atual momento da pandemia no País e especificamente no RN?

Acredita que é a hora de liberar a reabertura das atividades econômicas, como fez a governadora Fátima Bezerra? Jean Paul Prates – A pandemia não passou. O mundo todo ainda está aprendendo a lidar com ela. No Brasil, a meu ver o que faltou desde o início foi coerência e liderança. Todas as ajudas, a pessoas, empresas e entes federativos partiram de iniciativas do Congresso. O governo demora para sancionar, veta o que
foi aprovado por deputados e senadores e ainda burocratiza e dificulta o desembolso de recursos. No Rio Grande do Norte, o Governo do Estado
está dialogando e construindo consensos entre empregadores, trabalhadores e órgãos de defesa do interesse público. A partir destes consensos, os protocolos definidos devem ser seguidos à risca. E cada vez
que houver necessidade de retroceder na abertura, isso será feito para salvar vidas.

Agora – Críticos acusam a governadora de “omissão” no enfrentamento da Covid-19. O senhor acha que o isolamento adotado por ela foi o que resultou nessa sensação?

JPP – O Rio Grande do Norte foi um dos primeiros estados a apresentar um plano de enfrentamento à pandemia. Essa tentativa de impingir um rótulo de omissão é parte do velho jogo político de alguns que priorizam interesses eleitorais em detrimento da seriedade na proteção da vida da população. Fátima conseguiu criar mais de 415 leitos de UTI que vão ficar definitivamente na rede pública (e não como acampamento hospitalar provisório) e ainda apoiou a abertura de 33 leitos em Natal, com a doação de respiradores, monitores e bombas de infusão. Já são mais de três mil profissionais de saúde adicionados ao sistema estadual para o combate à
Covid-19. Já foram investidos mais de R$ 103 milhões no enfrentamento à pandemia no Estado.

Agora – Críticos afirmam que o prefeito de Natal, Álvaro Dias, está fazendo populismo e campanha eleitoral em meio à pandemia. Como o senhor
avalia a condução da crise do coronavírus pela Prefeitura do Natal?

JPP – Sempre tive em alta conta a pessoa do atual prefeito de Natal. Mas, de uns tempos para cá, talvez preocupado demais com as eleições municipais, ele tem assumido comportamentos no mínimo contestáveis. É assustador que, na sua dupla responsabilidade, de prefeito e de médico, Álvaro Dias use uma pandemia para montar pirotecnias populistas na busca de votos para a reeleição. O pior é que isso induz as pessoas a acreditarem que podem retomar uma vida normal porque estariam prevenidas, ou
imunizadas contra a doença.

Agora – No plano nacional, como o senhor avalia a recente aproximação do presidente Jair Bolsonaro com partidos do Congresso e com os presidentes da Câmara e do Senado? Acredita nessa nova versão de Bolsonaro?

JPP – Não acredito. Mas se há uma coisa de que não se pode acusar Bolsonaro é de que ele não seja exatamente o que disse que viria a ser. Mas ultimamente, o presidente Bolsonaro está acuado, principalmente depois da prisão do Fabrício Queiroz. Esse recuo em direção ao Centrão demonstra que a narrativa de campanha nunca passou de retórica vazia. Bolsonaro não mudou. Ele só está com medo.

Agora – Internamente no PT, seu nome tem sido cotado para concorrer nas próximas eleições para prefeito de Natal. O senhor deseja ou aceitaria ser candidato?

JPP – O meu nome foi um dos colocados internamente para representar o partido na sucessão municipal. Existem outros. O PT não avançou mais nessa discussão porque o combate à pandemia tem sido a nossa prioridade.
Assim como aconteceu nas eleições anteriores, o partido vai apresentar um projeto de desenvolvimento para Natal, que será debatido com a militância, os movimentos sociais e a sociedade civil. O nome que vier a ser escolhido
para representar esse projeto deverá unificar todo o partido e principalmente para apresentar ideias que respondam às demandas da população. Natal precisa de um projeto de futuro.

Agora – O eleitor de Natal tem certa rejeição ao PT. O partido nunca conseguiu eleger um prefeito na capital. Como reverter esse quadro?

JPP – Não vejo essa rejeição. O PT sempre participou da disputa pela Prefeitura de Natal com candidaturas competitivas, primeiro com
Fátima e depois com Fernando Mineiro. Mas, apesar de ser a capital do estado, Natal ainda é muito influenciada pela herança das oligarquias
que, historicamente, com raras exceções, sempre se revezaram no poder. Prevalece ainda uma forma tradicional, antiquada mesmo, de fazer e
de se disputar a política. O PT se propõe a fazer essa disputa pautado em ideias, no diálogo com os movimentos sociais e na construção de um projeto
de desenvolvimento inclusivo para a cidade.

Agora – O senhor é um dos quadros mais recentes do partido. Como conquistar a militância internamente, que tem parece ter preferência por
filiados mais antigos?

JPP – Entrei no PT em 2013, em um dos momentos mais críticos do partido, quando muita gente preferiu sair, enquanto outros diziam que o partido estava com os dias contados. A militância tem se identificado com o nosso mandato desde o início, porque não se trata de um projeto pessoal, mas sim partidário.

Agora – Quase metade da população brasileira não tem acesso a coleta e tratamento de esgoto. Mesmo assim, o senhor votou contra o novo marco legal do saneamento, que prevê a universalização do serviço na
próxima década. Por quê?

JPP – O novo marco legal prevê a universalização do saneamento até 2033. Mas venderam às pessoas algo irreal. Este setor é diferente de quaisquer outros, e se baseia numa lógica de rentabilidade cruzada. Empresas privadas atuando por si só não terão interesse em levar água e esgotamento a áreas sem escala e/ou longínquas. Vários países privatizaram o saneamento nas últimas décadas. E voltaram atrás nessa medida devido às
falhas das empresas em atingir metas de universalização, além de falta de transparência e dificuldades no monitoramento do serviço. No Brasil, a
gente já vê isso. Isso mesmo: o tal “marco” não abriu o mercado. Ele já está aberto desde a década de 90! Manaus tem um sistema privatizado desde
o ano 2000. E a cidade está entre as dez piores do Brasil em saneamento. Em Tocantins, a concessionária privatizada devolveu para o governo as cidades que não considerou lucrativas. Ou seja, ficou com o filé e entregou o osso para os contribuintes. Votei de forma contrária ao projeto porque ele é insuficiente e ruim. Ele coloca uma bola de ferro no pé das estatais estaduais, e só vai trazer mais lucros a meia dúzia de empresas e elevar as tarifas para todos. Quem viver verá.

Fonte

agora rn

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